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Lições para se tornar empreendedor
12/01/2015
A disciplina Introdução à Atividade Empresarial (IAE), ofertada pela Universidade de Brasília (UnB), chega à maioridade. Sem pré-requisitos e aberta a alunos de todos os cursos de graduação, tanto na forma presencial quanto na modalidade a distância, a matéria existe desde 1996. Oferecida pela Escola de Empreendedores (Empreend) do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT/UnB), em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Distrito Federal (Sebrae-DF), a disciplina atendeu mais de 1,1 mil alunos este ano, com direito a listas de espera. "No início, a sala de aula tinha 20 alunos, e era difícil aumentar a participação de estudantes. Hoje, vemos um interesse muito grande, tanto que não conseguimos matricular todos os alunos. O conteúdo também mudou com o tempo e, agora, atende a um mercado globalizado", detalha Cristina Castro-Lucas, coordenadora de Extensão do CDT. "Mesmo que o universitário não vá abrir um negócio, eventualmente, ele pode precisar fazer um plano de pesquisa, em que será necessário mostrar sua ideia e detalhar aspectos como a viabilidade financeira — pontos ensinados na disciplina", complementa.
 
A ementa engloba quatro grandes temáticas: competências empreendedoras, plano de negócio, marketing e gestão financeira. Os assuntos são bastante diferentes do que os estudantes Tasso Mendonça, de arquitetura e urbanismo, Eduardo Dodge, 21 anos, de engenharia mecatrônica; Geovane Mota, 19, e Victor Cleto, 21, ambos de engenharia de produção, veem na faculdade. “Quase tudo era novo para mim”, conta Tasso. Juntos, os quatro criaram um projeto da gráfica de impressão 3D. “Já existem negócios desse tipo, mas é um mercado em crescimento. Com base em um desenho digital, a impressora 3D produz objetos a partir de materiais como plástico e metal”, explica Eduardo. 
 
Para tirar o projeto do papel, os estudantes precisam buscar investidores a fim de levantar o capital inicial. “Fizemos pesquisas de mercado e chegamos à conclusão de que o projeto é viável e de que pode ser rentável”, diz Geovane. Segundo eles, o diferencial da empresa seria a proximidade com o cliente. “Hoje, a pessoa que se interessa por esse tipo de impressão faz o pedido pela internet e recebe o produto pronto, mas não acompanha o processo e não sabe se vai receber o produto da forma esperada”, explica Tasso. Os estudantes tiveram o primeiro contato com investidores na Feira de Negócios e Inovação promovida pelo CDT, cuja última edição ocorreu em 28 e 29 de novembro na própria UnB. No evento, todos os alunos de IAE expõem seus projetos. Eles consideraram a experiência positiva para fazer ajustes na estratégia do negócio. “O projeto é viável, mas tem alguns furos. Acho que devemos investir mais em marketing”, avalia Victor. É consenso entre os quatro que a disciplina deveria ser mais divulgada e que o fomento à educação empreendedora é fundamental na universidade. “A matéria é bem prática e acho que dá base para quem quer entrar em uma empresa júnior. Matérias assim são boas para estimular a criação de novas ideias”, diz Eduardo.
 
Exemplo de sucesso
O empresário Cesar Alcácio, 34 anos, graduado em física pela UnB, fez IAE em 2002, mesmo ano em que teve sua empresa selecionada para participar do programa Multincubadora de Empresas do CDT. Era o início da Redecom, companhia de infraestrutura para tecnologia da informação que hoje conta com cerca de 200 colaboradores e três escritórios, em Brasília, São Paulo e Miami (EUA).”Acho muito interessante que os alunos tenham oportunidades como essa matéria. Ela ensina como fazer um plano de negócios, calcular preços e apresentar um projeto”, diz Alcácio. 
 
Agora, a empresa retorna às origens após ganhar o primeiro processo de licitação para se instalar no Parque Científico e Tecnológico da Universidade de Brasília (PCTec-UnB) em novembro (2014). Lá, a companhia instalará um laboratório de pesquisa e desenvolvimento com o objetivo de construir produtos para cidades inteligentes. Os primeiros projetos que devem ser desenvolvidos pela companhia no câmpus são uma parada de ônibus inteligente, integrada ao usuário por meio de smartphone, e um poste inteligente com itens de interação e conectividade para ambientes de cidades digitais. “O mundo acadêmico tem um processo científico apurado, então é importante estar nesse ambiente para divulgar nossos produtos”, afirma.
 
Capacitação
De acordo com a gerente da Unidade de Capacitação Empresarial do Sebrae Nacional, Mirela Valvestiti, ter o próprio negócio é uma opção de carreira cada vez mais desejada no Brasil. “Há uma parcela significativa de estudantes recém-formados em busca do sonho de se tornar empresário. Segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor 2012, patrocinada pelo Sebrae, o jovem de hoje deseja concluir a graduação para ser o próprio patrão. Entre os brasileiros de 18 a 24 anos, 53% sonham em investir em um negócio, enquanto 46% planejam fazer carreira numa empresa”, afirma.
 
Segundo a gerente, 59 instituições de ensino superior brasileiras aderiram ao Programa Nacional de Educação Empreendedora (PNEE) do órgão, que pretende inserir conteúdos do assunto na educação formal. “A parceria com universidades e faculdades é uma estratégia consolidada pelo Sebrae. Para o ano que vem, continuaremos a dar seguimento ao apoio da disseminação do ensino do empreendedorismo pelas instituições de ensino superior”, diz Mirela. 
 
Palavra de especialista
Empreendedorismo é um comportamento e não um traço de personalidade. Conhecimento prático, como o que é adquirido por meio da disciplina da UnB, é importante. Porém, para alcançar o sucesso, é imprescindível desenvolver o comportamento e as habilidades empreendedoras. Durante aproximadamente 10 anos, pesquisadores da Organização das Nações Unidas (ONU) observaram o comportamento de empreendedores de sucesso. A partir daí destacaram 10 características consideradas essenciais ao empreendedor de sucesso. São elas: estabelecimento de metas, planejamento e monitoramento sistemático, busca de oportunidades e iniciativa, correr riscos calculados, sinergia, busca de informações, qualidade, persistência e comprometimento, eficiência e poder.
 
Ary Ferreira Júnior, gerente da unidade de Capacitação Empresarial do Sebrae-DF 
 
 
Fonte: Correio Braziliense
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