O motor da Propriedade Intelectual e a desburocratização da ciência na UnB (Sério CDT 40 anos)
Como parte das celebrações das quatro décadas de história do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT) da Universidade de Brasília (UnB), apresentamos uma série especial de reportagens que destaca os principais pilares, núcleos e programas que transformam o conhecimento acadêmico em inovação real para a sociedade. Nesta edição, o foco é o Núcleo de Propriedade Intelectual (Nupitec). Criado em 1999, o Nupitec consolidou-se como a estrutura fundamental para proteger e gerir o patrimônio intangível e tecnológico gerado pelos cientistas da UnB. Atuando diretamente na vanguarda do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da instituição, o setor converte pesquisas de laboratório em ativos protegidos legalmente.
Um Ecossistema de Proteção Científica em Números
O trabalho do Nupitec reflete o amadurecimento da cultura de inovação dentro da universidade. Atualmente, a Universidade de Brasília acumula um expressivo portfólio de 857 ativos intangíveis protegidos. Esses dados demonstram a robustez da produção científica da UnB, dividida entre patentes, direitos autorais e registros de marcas:
• Patentes e Pedidos Nacionais: 326 ativos (sendo 307 históricos e 19 novos depósitos realizados em 2024).
• Patentes no Exterior: 84 pedidos/concessões internacionais.
• Programas de Computador (Softwares): 339 registros (com a adição de 29 novos softwares protegidos em 2024).
• Marcas e Desenhos Industriais: 115 marcas registradas e 56 desenhos industriais integrando o patrimônio intangível da instituição.
• Cultivares: 13 ativos de proteção biológica nacional.
Apenas no ano de 2024, o esforço conjunto do núcleo resultou na formalização de 70 novas proteções, superando com folga a meta anual inicialmente estipulada de 45 ativos, o que corrobora a aceleração institucional da área.
A Revolução da Agilidade: O Impacto da Modernização Interna
O crescimento expressivo nas proteções não é um fato isolado. De acordo com a coordenadora do Nupitec, Larisse Lima, o excelente desempenho operacional e o estímulo à inovação são frutos diretos de uma série de transformações estruturais promovidas internamente no NIT/CDT.
A coordenadora destaca que o núcleo implementou com sucesso as seguintes ações estratégicas:
• Internalização de ferramentas digitais de gestão: Modernização que eliminou gargalos físicos e centralizou o controle dos processos.
• Ampliação da equipe técnica dedicada à redação de patentes: Injeção de pessoal multidisciplinar especializado para dar suporte direto aos inventores.
• Melhoria contínua dos fluxos internos de tramitação: Readequação e simplificação de processos burocráticos internos compartilhados.
• Redução drástica de prazos: O tempo médio para a realização do depósito de patentes caiu de aproximadamente 70 para 45 dias.
Larisse Lima afirma que essas mudanças de gestão foram decisivas para aumentar a agilidade e a previsibilidade dos processos administrativos. O reflexo imediato dessa desburocratização foi um forte efeito motivador na comunidade acadêmica, estimulando um volume muito maior de formalizações de inventos por parte de professores e estudantes da UnB.
Cultura de Inovação e Olhar para o Futuro
Além dos trâmites técnicos junto ao INPI, o Nupitec tem liderado projetos de vanguarda que atuam na base da pirâmide científica. Iniciativas como o PI em Foco dão o suporte necessário aos pesquisadores desde a bancada do laboratório, orientando e ministrando formações sobre propriedade intelectual em turmas de graduação e pós-graduação.
Ao completar 40 anos, o CDT projeta para o futuro do Nupitec a consolidação de resoluções e instruções normativas de simplificação ainda mais profundas, garantindo que a ciência produzida na capital federal continue protegida e pronta para gerar riqueza, tecnologia e bem-estar social para o país.